O Caminho do 'Fallout' no Oriente Médio
"A Banalidade do Mal"
O mundo acompanha em contagem regressiva o ultimato mais severo da história geopolítica recente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo até as 21h (horário de Brasília) desta terça-feira para que o Irã encerre o bloqueio do Estreito de Ormuz. A exigência veio acompanhada de uma ameaça sem precedentes publicada na rede Truth Social, onde Donald Trump declarou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso o Irã não ceda as suas exigências.
A ofensiva prometida por Washington não foca apenas em alvos militares convencionais, mas sim na "demolição completa" da infraestrutura vital iraniana antes da meia-noite. A lista de alvos declarados inclui todas as centrais elétricas do país, o que abrange inevitavelmente usinas nucleares como Bushehr e instalações de enriquecimento, além de dezenas de poços de petróleo e usinas de dessalinização. Um ataque coordenado dessa magnitude tem o potencial de transformar a região em um epicentro de desastre radiológico e ambiental.
"Uma civilização inteira morrerá esta noite"?
Uma análise aprofundada dos padrões de vento atuais sobre o Oriente Médio revela uma dinâmica atmosférica que contraria o senso comum sobre quem sofreria os danos colaterais desse bombardeio.

Imagem: earth.nullschool.net
Caso as instalações iranianas sejam de fato devastadas, os modelos meteorológicos mostram que as correntes de ar não empurrariam a fumaça tóxica e o fallout radioativo em direção a Israel ou à costa do Mediterrâneo, já que os ventos da região estão fluindo de oeste para leste e rumo ao sudeste.
O cruzamento dos dados climáticos com a geolocalização dos alvos primários aponta para duas rotas trágicas de dispersão contínua. A primeira precipitação tóxica desceria pelo Golfo Pérsico, atingindo em cheio os próprios aliados americanos na região, como Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e o leste da Arábia Saudita. Não entra nessa conta a possibilidade de serem utilizadas bombas bunker para detruir dentro do solo iraniano o urânio enriquecido que, segundo Israel e Estados unidos, Teerã possui. Nesse caso, o impacto seria ainda maior e mais devastador.

A segunda nuvem, originada da destruição do complexo nuclear e energético no interior do Irã, seria empurrada violentamente através da Ásia Meridional, cobrindo o Afeganistão e o Paquistão até atingir o noroeste da Índia.

Uma outra possibilidade, ainda mais assustadora para a população civil, é de que no dia 09 de abril as correntes de vento de baixa altitude formem um efeito de "redemoinho". Nesse caso, em vez de ser varrida rapidamente para fora do país por correntes contínuas, a fumaça tóxica passaria dias ou semanas se movimentando em um círculo fechado dentro do território iraniano. Isso seria assustador.

Destruir as instalações e destruir o urânio enriquecido seria extremamente difícil. Mas, se a promessa de destruição for levada a cabo nas próximas horas, as nuvens de radiação e a fumaça química causarão danos catastróficos não só ao Irã, mas a todos os aliados dos Estados Unidos na região.
Esta reportagem será atualizada.
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Por: Crislei Oliveira.